Alfabetização – Leitura e Escrita

alfabeto

Compreensão do Sistema de Escrita

A Escrita não é um objeto escolar e sim cultural, todo lugar aonde a criança vai ela está em constante contato com o mundo das letras. A escola só formaliza o conhecimento adquirido no seu dia-a-dia.

A escrita tem sua função social e é de extrema importância que todos tenham essa consciência, que ler e escrever é uma necessidade social. A escrita compreende várias fases de desenvolvimento, antes de qualquer coisa, é um processo perceptivo durante o qual se reconhece símbolos. Em seguida, ocorre à transferência para conceitos intelectuais, essa tarefa mental se amplia num processo reflexivo à proporção que se ligam em unidades de pensamento cada vez maiores.

De acordo com Paulo Freire, a história da civilização humana é marcada por ritos e registros. Ritos que refletem a seu tempo às marcas do homem sobre o espaço que ocupa, as alterações que essa ocupação provoca e as relações com os outros homens e a natureza. Essas marcas têm sido deixadas no espaço físico através de “desenhos” e “recortes” por onde os homens passaram e escolheram para viver e constituir grupos. Desenhando inicialmente sua trajetória no espaço, a humanidade iniciou sua forma de
registro sobre sua forma de estar e agir no mundo.

Níveis da Escrita

A caracterização de cada nível não é estanque, podendo a criança estar numa determinada hipótese e mesclar conceitos do nível anterior. Tal “regressão temporária” demonstra que sua hipótese ainda não está adequada a seus conceitos.

Nível 1 – Pré-silábico

A criança não estabelece vínculo entre a fala e a escrita, supõe que a escrita é outra forma de desenhar ou de representar objetos. Utilizam desenhos, garatujas e rabiscos para escrever; ela demonstra intenção de escrever através de traçado linear com formas diferentes. Na construção do seu conhecimento, ela supõe que a escrita representa o nome dos objetos e não os objetos; coisas grandes devem ter nomes grandes, coisas pequenas devem ter nomes pequenos, usa letras do próprio nome ou letras e números na mesma palavra, pode conhecer ou não os sons de algumas letras ou de todas elas, além de fazer suposições sobre a quantidade de letras e variações na grafia na hora da escrita.

Nesta fase, a expectativa é de que a escrita dos nomes seja proporcional à idade ou tamanho da pessoa, objeto ou animal a que se refere. Desta forma, a linha ondulada que representará a palavra papai, por exemplo, será maior que aquela que representar o nome e o sobrenome da própria criança, o mesmo ocorrendo com a palavra boi em relação à palavra formiga.

Ex:
Boi= derisodjfurksj
Formiga= jdi
aogekl = gato

Nível 2 – Silábico

A criança começa a ter consciência de que existe alguma relação entre a pronúncia e a escrita, começa a desvincular a escrita das imagens e números das letras, demonstra estabilidade ao escrever seu nome ou palavras que teve oportunidade e interesse de gravar. Esta estabilidade independe da estruturação do sistema de escrita;

Nesta etapa são feitas tentativas de valor sonoro a cada uma das letras que compõem a palavra. Surge a chamada hipótese silábica, isto é, cada grafia traçada corresponde a uma sílaba pronunciada, podendo ser usadas letras ou outro tipo de grafia. Há, neste momento, um conflito entre a hipótese silábica e
a quantidade mínima de letras exigidas para que a escrita possa ser lida.

Ex:
AO = bola AO = gato

Nível 3 – Silábico-Alfabético

A criança inicia a superação da hipótese silábica, começa a compreender que a escrita representa o som da fala, ocorre então à transição da hipótese silábica para a alfabética. O conflito que se estabeleceu – entre uma exigência interna da própria criança (o número mínimo de grafias) e a realidade das formas que o meio lhe oferece – faz com que ela procure soluções.

Tal conflito se evidencia com clareza nas tentativas de escrita de seu próprio nome, especialmente, se a criança já tem certa imagem visual do mesmo e seja lida com um repertório de letras visualizadas ocasionalmente. Ela, então, começa a perceber que escrever é representar progressivamente as partes sonoras das palavras, ainda que não o faça corretamente.

Nesta etapa, a hipótese silábica começa a desmoronar, porém, quando o meio não provê estas informações, não ocorrem possibilidades de conflito entre as hipóteses da criança, nem ela pode testá-las, avançando na construção de conhecimentos.

Ex: BOA = bola
MENNO = menino
BOBOETA = borboleta
GATO = gato

Nível 4 – Alfabético

No nível quarto é atingido o estágio da escrita alfabética, a criança compreende que a escrita tem uma função social: a comunicação, compreende o modo de construção do código da escrita e que cada um dos caracteres da escrita corresponde a valores menores que a sílaba. A criança conhece o valor sonoro de todas as letras ou de quase todas. Nesta fase pode ainda não separar todas as palavras nas frases, omite letras quando mistura a hipótese alfabética e silábica, não tem problemas de escrita no que se refere a conceito.

EX:
ALUNO+ aluno CRIANSA = CRIANÇA

Daí para frente haverá ainda muitos problemas causados pelas dificuldades ortográficas, mas terá concretizado a apreensão da estrutura da língua escrita. Onde chamaremos de alfabético ortográfico.

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